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Monday, June 4, 2012

No rescaldo de mais um Rock in Rio, com a adesão record de várias centenas de milhar de pessoas, pergunto-me se não estará na altura de claramente mandar pentear macacos os reclamantes dos museus pagos aos Domingos e dos valores miseráveis mas ainda assim sujeitos a reclamações e pedidos de borlas dos ingressos para os variadíssimos espectáculos culturais da cidade. Querem borlas para o teatro? Vão ali ver se eu lá estou. Tirem um dia de Rock in Rio ou de Sudoeste ou seja lá qual for a vossa praia e vão ao teatro a pagar, que há quem viva da bilheteira. A grande diferença é que infelizmente a ideia que se instalou é que o público, coitadinho, tem direito a ver os seus ídolos internacionais a desgoelarem-se e a coçarem a barriga com uma guitarra no meio. Mas quando chega a altura de qualquer outro tipo de espectáculo, ui, aí é mais do estilo: "Coitadinhos dos actores. Quase não têm público, vou até lá fazer-lhes o favor de gramar aquela xarupada intelectual e bater umas palminhas no fim. Ai deles é que me cobrem bilhete".
Perguntam vocês: Então mas será efectivamente o mesmo público que vai às duas coisas? Eu respondo: Se não é, deveria ser. Que tal dar uma hipótese ao maravilhamento, em deterimento da alianação para variar? Além disso, quase 300.000 pessoas (!!) vão-me dizer que é tudo gente que nunca entrou num teatro? Não é um universo de sondagem suficiente? Quem me dera ter um décimo dessas pessoas numa temporada inteira de uma peça de teatro. Talvez se inaugurássemos o bilhete de teatro-dia. Podiam ver os espectáculos que quisessem e andar por ali nos intervalos, por 60 euros/dia. O Slide é que seria um bocadinho mais difícil...

Saturday, June 2, 2012

De regresso para ressuscitar isto. As redes sociais mataram temporariamente os blogs. Sendo que muitos perceberam que as 1ªs são de facto pobre substituto para os 2ºs. Peço então sinceras desculpas de ter deixado que a actividade de um encobrisse a do outro. Tentarei manter as opiniões long-form aqui. Obrigado e até já a todos.

Tuesday, November 25, 2008

Alerta à Navegação

No post anterior aflorei a questão dos info-excluídos, tendo isto provocado uma epifania na minha pessoa, que já vem reflectindo há algum tempo a esta parte acerca do futuro da sociedade em geral e do trabalho em particular. Numa época de avaliação de professores e de trabalho precário, propus-me a tentar abstrair-me das causas comummente atribuídas aos dois fenómenos e procurar saber se haverá algo mais. Perguntei-me então, porque é que há pessoas boas no que fazem, outras remediadas e outras francamente más. Será apenas fruto da educação, quer no sentido académico quer no sentido de formação social, up-bringing, ou será fruto de más avaliações de vocação, necessidades prementes sociais, que impelem pessoas para o primeiro emprego que apanham e aguentando-se por necessidade uma vida inteira ali, contrariados? O que faz, por outro lado, uma pessoa investir numa carreira, levando-se constantemente além do que lhe é pedido, tornando-se assim num excelente profissional, ser criador de regras em vez de se limitar a seguir as existentes? O gosto pelo que se faz? Sem dúvida. Se se gostar do que se faz, é-se forçosamente bom. Mas uma pergunta assolou-me o espírito... tenho colegas, excelentes tecnicamente, amantes da própria arte, de boas leituras, pesquisadores... que praticamente vivem na pobreza. Porquê? Retomemos o conceito de info-excluído e alarguemos esse conceito. Cada vez mais, em qualquer profissão, principalmente se for liberal, mas em qualquer meio, o carácter de dependência de um patrão, entidade decisora, está mais esbatido. Cada vez mais somos os responsáveis, os gestores da nossa própria carreira. A empresa uni-pessoal, mesmo quando não oficializada no papel, está cada vez mais presente e mostra-se cada vez mais necessária e incontornável. Quanto mais e melhor "conduzirmos" a nossa carreira, melhores resultados teremos. A imagem é cada vez mais importante, a maneira como nos "vendemos" (verbo muitas vezes tomado pejorativamente, de forma errónea), como nos colocamos disponiveis para os compromissos profissionais, principalmente os que não são obrigatórios, é fundamental. É pouco lusitano pedir a alguém que dê igual valor aquilo que não é obrigado a fazer, é verdade. Mas quando se torna um imperativo moderno...
O inapto gestor da sua própria vida profissional é o futuro info-excluído. E o que algumas vezes apelidamos de trabalho precário, é apenas a oportunidade à espera de ser explorada pelo próprio... Se for mal tratada, é lógico que é um beco sem saída. O síndroma do funcionalismo público, entrada às 9h00, saída às 17h00, de fazer todos os dias a mesma coisa, seguros socialmente pelos nossos merecidos direitos, também é uma amarra à nossa livre procura decisória de rumo profissional. Os próximos info-excluídos e ostracizados sociais, são os segurança-dependentes de hoje. Todos no futuro terão de saber decidir por si próprios social e profissionalmente. Comporta riscos, é certo, mas liberta linhas de pensamento e confere oportunidades. Todos teremos de aprender gestão profissional... a nova disciplina do secundário.

Wednesday, November 12, 2008

Pensar político: um Dever

Afastado que estou, há já vários anos, das lides directas políticas, recordo que me encontro cá e vivo, estando apenas adormecido. Não sedado, cego ao que se passa mas adormecido. Nem sempre é fácil entrar em batalhas constantes socialmente, para conseguir trazer alguma luz aos argumentos de parte a parte, principalmente quando é moda pertencer a uma "carneirada" que gosta de defender o fácil e o popularucho. Não quero com isto dizer que sou sempre do contra, apenas sou avesso quando tenho razão. O lado fácil muitas vezes até é o correcto mas quando o é, não é tão fácil como à primeira vez possa aparentar. Pensemos politicamente, é o mais homogéneo que posso sugerir, sabendo de antemão que não pode haver discordância possível. Pensemos politicamente, porque só assim teremos o efectivo direito de reclamar das faltas e saberemos como cumprir obrigações e exigir deveres. Não ter medo de sugerir o perigoso politicamente! Ter esperança que o interlocutor é, pelo menos, tão inteligente e coerente como nós próprios e que não se deixa levar pelas malhas do facciosismo e da hipocrisia. Aceitar argumentos com a mesma facilidade com que os proferimos e acreditar piamente que o outro lado também o faz. Em tempos de demagogia e seguidismo, é uma nova forma de heroísmo social saber ter opinião própria, fundamentada, original e corajosa. O linchamento social é a arma das novas massas telenoveleiras pouco documentadas. Não saber usar um computador hoje é ser um info-excluído... Para quando o mesmo estatuto para quem discute politica agarrado clubisticamente a uma camisola partidária independentemente de se ter os dados todos do problema? Sou azul ou branco ou verde, defendo as cores até ao fim, mesmo que em última análise, se eu detivesse toda a informação, até seria contra esta ou aquela directiva...? Finalmente: A Lei é sempre legal, mas nem sempre é legítima... só quando aquela é ambas as coisas, é que é justa...

Wednesday, June 11, 2008

Que chatos, pá!!

Tinha de ser... a esquerda de escada a baixo, trauliteiramente, lá voltou a ser mais fundamentalista que o próprio Hamas. O Sr. Presidente da República usa uma expressão maldita de há 40 ou 50 anos atrás, portanto noutro referencial socio-politico e cai o Carmo e a Trindade (expressão também criada no pós-regime imediato, mas esta não deve fazer mal utilizar).
O "dia da raça" ou "a raça" não tem a ver necessariamente com xenofobia ou racismo. Duvido muito sinceramente que o professor Cavaco Silva quisesse com esse comentário no dia 10 de Junho dizer que é anti-imigração. Nem os srs. da SOS Racismo disseram nada desta vez, portanto o sr. historiador da treta foi descadeirado, juntamente com os suspensórios e o cachimbo. Dia da raça, no contexto em que foi dito pretende, para quem não é totalmente faccioso, obviamente falar de valores socio-culturais específicos de quem está imerso na cultura portuguesa, fazendo por definição parte dela, seja gordo ou magro, amarelo ou azul, nascido cá ou cá a trabalhar. Se faz parte de uma cultura, constroi essa própria cultura. Começam a ser dolorosamente óbvios os bafientos estrebuchos da extrema-esquerda bolorenta que têm o lápis azul mais afiado do que qualquer outro. Percebo que não têm nada onde pegar desde o final do séc. XX, mas então deixem de chatear e façam algo construtivo, olhem, vejam o Euro 2008. Aí podem dar asas ao vosso espírito do contra e, sei lá, torcerem pelos Gregos. Espera lá... isso também não pode ser... porque o Euro é futebol e no futebol às vezes discute-se a posse de bola "na raça"... deve ser proibido dizer...

Wednesday, June 4, 2008

Um ensaio sobre arte

Ouvir Queen... ou ouvir Muse... Passei uma boa parte da vida a achar que era diferente dos outros, nada me aquecia ou arrefecia na música, tirando uma boa banda sonora, portanto acompanhada de imagens. Aliás, a frase batidíssima "o problema da vida é não ter banda sonora" é das que ainda mais me vai movendo pelos meus dias de inquilino nesta Terra. Descobri no entanto que apenas tenho gosto muito específico, apenas gosto do que gosto e é um erro forçar-se a gostar disto ou de aquilo só porque sim. Nem mesmo quando a miúda que curtimos gosta muito... Acabamos por encontrar maravilhas na forma de paralelismos: Gosta-se imenso de uma música, toca-nos, chama-nos, acorda-nos a alma. Não sabemos de quem é... entretanto, ouvimos outra: Tem piada, faz mesmo lembrar aquela que curti há uns tempos! Se tomarmos atenção, até pode ser dos mesmos autores... Até que acabamos a descobrir fanzines perfeitas, influências directas ou indirectas. A riqueza está no engenho e talento empregues com bom gosto SOBRE o que outros músicos já nos tinham trazido há 10, 20 ou 30 anos atrás. Juntem-lhes imagem: Não, não temos um vídeo-clip... Sejam mais profundos, seus brincalhões! Quando a partitura da música faz parte da própria manifestação da arte, quando o sub-texto da própria música se materializa em quadros em movimento... Cinema. E, realmente, a vida precisa de uma OST... e, às vezes de uma sala de edição, onde deitar para o chão os bocados cortados que não interessam.

Wednesday, May 7, 2008

Acordo ortográ...ná, espera: Acordo Pornográfico!!

Esperemos, como é a opinião da maioria das pessoas, que a chinesada do acordo ortográfico que se arrasta desde o principio do século, tendo a sua última fase vindo a pairar tipo assombração desde os primeiros anos da década de 90, morra de uma vez por todas na secretaria porque já não se pode sequer ouvir falar do disparate. Devemos ser os únicos azelhas que concordam em aproximar as diferentes variantes de uma língua que se fala em todos os continentes. Alguma vez ousaríamos sonhar que ingleses (olha quem, raça de convencidos) entrariam em compromisso com americanos e australianos para mudar a escrita de certas palavras em comum?! Seria um tremendo disparate. Então porquê aceitarmos nós empobrecer a nossa língua, estripar a literatura, roubar opções à poesia, à musicalidade da língua portuguesa? Para não falar que nem sequer vai "aproximar" ninguém. As palavras que pronunciamos de maneira diferente em português de Portugal ou do Brasil não são as mesmas, portanto ao mudarmos a sua escrita vão continuar a ser duas escritas diferentes e aí é que está a riqueza de ambas as literaturas. Não posso pensar em Jorge Amado escrito em português de Portugal, é impossível. Tal como não posso aceitar ler Eça escrito por outro português que não o queirosiano. E que vai acontecer com as palavras de raíz comum, mas que por azar uma é passível de alteração e outra não? "Acção" passa a ser "Ação"; "Actor" passa a ser "Ator". Então e a palavra "Actante"? Deixa de ser da mesma família? É ridículo. E já parámos para pensar no propósito desta chouriçada? Pois é... não é para aproximar ninguém, não é para "aproximar culturas irmãs". Pensem na pipa de massa que as editoras luso-brasileiras vão poupar em fazer, para todas as publicações, apenas uma edição... no "novo" português comum... Se fossemos minimamente orgulhosos, agora só para chatear, corrigíamos ainda com mais vontade os erros ortográficos na escola... começando por alguns que possam aparecer no próprio texto deste vosso super-herói. Borrifem-se no acordo ortográfico, trabalhemos antes para o acordo pornográfico. É uma coisa de que toda a gente gosta e que se faz exactamente da mesma maneira no mundo inteiro...

Friday, May 2, 2008

Transcendência na rua do Poço

Haverá vida depois do Bairro Alto? A minha lógica afinadamente científica diz-me que não. Quem sabe, esboça agora um sorriso e diz para si: "Mascarilha, tu tás lá. Do alto do teu porte altivo e de silhueta fenomenalmente atraente, tens total e inequivoca razão." Mas esta modéstia nada nos adianta até lá estarmos fisicamente, decobrindo por nós próprios. Quando se atravessa o Largo de Camões, local preferido para pontos de encontro, amigos, namoros (de todas as preferências), amores secretos e outros, bem como alguma ciganice de litrosas em sacos de plástico, não podemos deixar de achar irracional o elevador do parque, que sai falicamente no meio da calçada portuguesa. De seguida ao atravessar, supondo que não sofremos um atropelamento com violência e premeditação, aconselhamos o turista a fechar a carteira e abrir as narinas, já que é aí que o ácido úrico reage com o oxigénio rarefeito (devido à altitude) do ar, formando um composto ainda hoje desconhecido que tem sido um puzzle químico tremendo para as várias equipas CSI que lá se deslocaram, saindo de lá desmotivados e cabisbaixos. Porque leia-se: o bairro apenas pode ser sentido e poucas vezes compreendido. Temos que deixar reagir os aromas com a bebida sem pensar muito, sem extrapolarmos teoremas explicativos da sua essência. É um treino de sentidos: Respirar tudo, deixar reagir com os sabores, o tacto que se acotovela por um lugar à porta, e a conversa que não tem igual em ponto algum do globo (no mínimo!!) é uma generalidade que se manifesta nos micro-climas de diferenças consoante o local específico em que se encontram... há o bairro do Apolo, o do Maria Caxuxa, o do Suave ou até o do Arroz Doce. Mas em todos, todos vivemos o toque suave da noite, a sugestão do social, a ideia da convivência. E, se altas filosofias são extraídas de uma conversa à 1h00, às 5h00 recebemos um não menos precioso e francamente genuíno (leia-se ébrio) "BEENNFICAAAAA"

Sunday, January 27, 2008

Pensamento do dia: Carne: Pernil guarnecido; Peixe: Bacalhau à Batalha Reis

A verdadeira grandeza não se demonstra mediante vontade, com a explosão de um poder incomensurável, mas sim através da exposição total e hesitante das pequenas fragilidades humanas.

Sunday, November 25, 2007

Um homem de classe

Tive a descomunal honra de me juntar à pandilha de admiradores do Professor Marcelo Rebelo de Sousa. Eu era daqueles que o ouvia algumas vezes, a maioria das quais para efeitos de estatística, ou seja, como barómetro de como param as modas no país, mas sem razões analíticas profundas. Ora, como dizem os ingleses it as come to pass que eu havia de (eu próprio, euzinho mesmo em carne e camada adiposa) entrevistar o Professor. O contexto era "sessão de apresentação dos áudio-livros" lançados pela editora 101 noites, no museu da electricidade. O meu papel, entrevistador para a grelha 0 de programas do próximo novo canal (quando estiver pronto e em emissão não deixem de ir lá ver e levar amigos) virtual de televisão, disponível futuramente acedendo ao site www.newbox.tv, tendo-me calhado entre outros entrevistar o próprio Marcelo. Realmente compreendo. A classe, a disponibilidade, a profundidade de análise para me responder às minhas rebuscadíssimas perguntas! E sem deixar de manter a juventude, a frescura em cada acção e em cada frase. Dá o que pensar... após ter entrevistado grandes actores como São José Lapa, Nuno Lopes, José Wallenstein, Eunice Muñoz, quem cativa mais uma pessoa nem sequer é actor... ou será...? Um grande actor do palco político...?

Tuesday, November 20, 2007

Metabolismo my ass!!

O metabolismo é uma real chatice. Acabei de engalfinhar uma posta de salmão grelhada, recheada de Omega3, com uma saladinha de tomate do mais boiola que se pode imaginar e mais um bocadinho ainda. Acompanhada ainda por uma fatia de pão de centeio, mais escuro, logo menos colesterólico. A sopinha, frugal, de feijão verde sem azeite. Duas pecitas de fruta banais, ingeridas ANTES da refeição principal para forrar o estômago. Cada garfada me fazia mais e mais desejar um informal bitoque com tudo a que tenho direito ou um mais refinado bifalhão da Portugália com o molhinho tradicional. Nem que fosse um bifito com cogumelos. Agora, porque hei-de eu ter de vigiar a minha fisionomia ao grama, pensando num reles pastel de nata que comi um domingo à tarde com a famelga num passeio em Belém e portanto sentindo-me obrigado a viver o resto da semana num inferno de brócolos e couve-flor? Eu sei o que é... não tem nada a ver com imposições sociais, que é o que nos vendem, porque eu realmente sinto-me melhor mais magrinho, com mais saúde (se conseguisse mandar o tabaco à vida definitivamente)... A questão é a porra do metabolismo que faz de uns filhos e de outros enteados, porque que os há, aqueles que comem este mundo e o outro como se não houvesse mais amanhã, não se coibindo de nada como se todos os dias fossem consoada e bebem como se fosse passagem de ano constantemente. É o metabolismo acelerado dizem eles... e que se lixem os outros de metabolismo de lesma, que comem um ferrero-rocher e passam o resto da semana a Danacol com bolachas de esferovite e Pladur. Tanta gente se queixa da retenção de líquidos: Deviam ter vergonha na cara, eu que faço retenção de sólidos e por muito que coma que nem um abade, nunca passo da sessão única dia sim dia não, em que faço como se fosse uma cabra, berlindes... gordura não é formosura, é verdade, é tortura! E chinesa!

Wednesday, November 7, 2007

O que pode ser uma "boa peça"?

Um texto de teatro ou mesmo literário, tem de ser simples ao mesmo tempo que é inteligente. Em teatro, a simplicidade é sinónima de contenção e não só dos actores. Na contenção narrativa está todo o potencial da explicação de conceitos complexos, deixada no ar em termos objectivos e simples. A forma genuína com que se podem interpretar os signos e sinais dos tempos e os transpor para uma forma concisa e concreta de linguagem dramática tem de ser dotada de simplicidade e frontalidade de objectivos de narrativa, de forma a ser assimilável, convidando-nos enquanto público a sermos permeáveis ao que nos é contado. A simplicidade leva-nos obviamente a uma livre associação ao objectivo da história, com possível identificação dependendo do grau de verosimilhança, bem como a uma forma de explicação de conceitos abstractos e profundos de forma mundana.
Boa peças em potencial entendo haver bastantes ou, devo dizer, bons textos em potencial. Muitas vezes me deparo com problemas de textos francamente inteligentes e originais, mas altamente pretensiosos quer na forma quer no conteúdo. Quando é conteúdo, pouco ou nada me parece haver a fazer, já que toda a sua significância se encontra comprometida. Na forma, a linguagem de abordagem de uma coisa que poderia ser tremendamente simples, ou até um conceito subjectivo e complexo que poderia ser, na narrativa, maravilhosamente condensado até à sua forma elementar mantendo todo o seu sumo em sub-texto se encontra, numa procura imensa de se ser claro e totalmente explícito, vazio de significado, exposto, despojado do que é verdadeiramente teatro, o seu potencial dramático. Uma boa peça, poderá começar por ser literatura, mas nunca acabar como tal. Tem de haver espaço a interpretação dramatúrgica, a uma linguagem objectiva para entendimento, mas vaga o suficiente para oferecer mais perguntas do que apenas uma imutável e absoluta resposta.

Direito de Réplica

A pedido de várias famílias, venho exercer o meu direito de réplica sem qualquer tipo de discordância. Discordância de conteúdo sim, mas concordância em discordar (maneira pomposa de dizer que adoro uma boa discussão): A respeito do filme "Elizabeth II, a sequela - bigger, better and even more red-haired", nunca disse que tinha gostado do resultado final. Ao falar em épico discreto, quis com isso dizer que não aquece nem arrefece, o que por vezes consegue ser melhor do que o fogo de artifício com que nos atiram para as trombas frequentemente. Discordo completamente que a Kate "olhem-para-mim-que-estou-tão-ruiva" Blanchett esteja no seu melhor, ou até mesmo a meio-gás. Ela joga precisamente com o facto de ser um épico, fez uma má leitura do que iria sair dali, ou seja, poucos clímaxes, pouco estrondo, pouco arrebatador (não que eu desejasse isso). Ela comportou-se como se os efeitos fx fizessem o resto e "eu basta fazer olhinhos que a coisa dá-se". A coisa não se deu. Saiu tudo frouxo e ela a contar com que a bilheteira trabalhasse por ela. Concordo que a realização andava a apanhar bonés. Mas o que é facto é que o argumentista, depois da morte da Mary Stuart (Maria Estuarda, como o espanhol ou lá o que eles inventaram como espanhol, frisou e o sr. das legendas concordou ainda por cima) também pouco mais sabia o que escrever. A história era pouca, a Elizabeth confiou na montagem para brilhar com pouco, enfim: Comida de plástico em forma de bobine. Agora: o que eu disse é que no meio deste pãozinho sem sal de factos históricos dados a medo como quem está à rasca com a possibilidade de se enganar e ter meio mundo de historiadores europeus a cair-lhe em cima, a Ms Samantha Morton igualou-se a ela própria ao, mais uma vez, superar-se. Nota final: O senhor do Notting Hill, sinceramente, devia continuar a fazer festas de anos vestido de Spike...
Nota final (agora é que é): Que raio de personagem afectada inventaram eles como Filipe II de Espanha (que viria a ser Filipe I de Portugal, portanto nem gosto especialmente dele) e porque é que todos os castelhanos quando falavam pareciam que estavam no Teatro Nacional no final dos anos 70?

Saturday, November 3, 2007

Ms. Samantha Morton

Falando do mais recente "Elizabeth- a idade de ouro", é mais um épico discreto de Hollywood, sereno, com poucas pretensões e, felizmente, sem os chavões tradicionais, mas que vale aqui o meu destaque pelo pequeno papel da actriz britânica Samantha Morton (Mary Stuart, Rainha da Escócia), umas das melhores jovens actrizes da actualidade na humilde opinião deste vosso super-herói. Já a tínhamos visto noutros trabalhos (infelizmente ainda não em palco por falta de oportunidade minha de voar até lá e dela de vir cá ao nosso teatro) como "Minority Report" e um filme genial de Woody Allen, cujo nome agora me escapa (por falta de pachorra para fazer uma pequena pesquisa), um pseudo-documentário sobre um ficcional músico de jazz em que Ms. Morton faz uma rapariga muda cujo silêncio reduz ao mesmo todas as outras personagens. Com pena minha pela carreira dela, também a vi num video-clip dos U2 há uns anos atrás. Continua a ser uma revelação, apesar de já andar nestas lides há um tempo e é refrescante ver alguém com tanto orgulho no seu trabalho, sem se deixar cair na mecanização que caracteriza tanta promessa do show-biz de hoje. Ela tem o dom de se refrescar e mudar de registo sem perder o toque de quem faz aquilo que faz sempre com o fascínio de uma primeira vez. Durante os primeiros momentos do filme, tendemos a esquecer Kate Blanchet, Geoffrey Rush e o próprio filme que, em si, vale o que vale.

Thursday, November 1, 2007

tertulia cor-de-burro quando foge

Se há coisa que me irrita solenemente, são as pessoas que ganham a vida ou têm projecção. Mentira. Seria uma declaração bombástica, revolucionária, ousada e diria mesmo, estúpida como as casas. Mas a frase não estava completa, como se segue é que é: Se há coisa que me irrita solenemente, são as pessoas que ganham a vida ou têm projecção sem terem feito rigorosamente nada para o merecerem. Falo das Paris Hiltons desta vida. Ou, mais perto de casa e da nossa realidadezinha medíocre, os Cláudios Ramos. Essa espécie infelizmente reproduz-se (o que devia ser contra a lei) embora assexuadamente. Reproduz-se pelo fascínio generalizado de se saber que afinal é possível qualquer atrasado mental (com as devidas desculpas a quem de facto sofre de atrasos mentais neste país sem culpa nenhuma) ter tempo de antena para dizer as maiores barbaridades que não interessam a ninguém. Que se analise um livro, ou um quadro, um filme ou uma peça de teatro, um facto socio-político, ainda entendo. Que se analise um jogo de futebol, vá lá, é embrutecedor, mas ainda aceito. Agora que se analise extensivamente em prime-time, da boca de autênticos abortos (com muito mais de 10 semanas) a cor das cuecas da Serenela Andrade quando ela se esparramou na escadaria da gala da TVI, ou o divórcio da Soraia Chaves que estava farta de se deitar com o anónimo namorado e prefere muito mais enroscar-se com um jogador da bola com penteado à Zé Milho, isso começa a ser demais. E vão aos requintes de se apoiar em teorias formuladas por pseudo-cérebros que não sabem se teoria ainda se escreve só com um "t". Não sendo um pseudo-intelectual eu próprio, nem sequer um intelectual apenas, eu pergunto: Não haverá merda melhor, do que gastar cameras de video, cassettes e ondas hertzianas (ondas de TV e rádio, prós abortos) em gajos sentados à volta da Fátima Lopes, a comentar factos inúteis, que saem em revistas que só por si já são inúteis e deviam ser impressas em papel um pouco mais absorvente e de folha dupla?? Eu digo à boca-cheia: Encostem à parede os cinco magníficos: Cláudio Ramos, Daniel Nascimento que por acaso está gordo que nem um porco (toma lá uma análise a ver se gostas), Carlos Castro (ele que, traveca de revista dos anos 70, frustrado, gosta de falar mal de actores sem saber sequer o que está a dizer) o Castelo Branco e o felizmente desaparecido da televisão Serginho (antigo repositor de prateleiras do Jumbo, profissão que muito estimo). A este rol estou muito perto de juntar o chato do Eiró só por ser melga e ter a mania que tem graça. Lembro-me de há uns tempos o Cláudio Ramos ter declarado a um pasquim desses que "se não voltar a fazer televisão mato-me"... E com uma oportunidade destas em potência, o que é que os imbecis foram fazer? Puseram-no outra vez a trabalhar. Era só estar quietinho, o outro tinha prometido e uma promessa é uma promessa...

Saturday, October 27, 2007

Trinitá e Tabaco

Quem sabe o que é bom, genuíno, associa-o forçosamente à simplicidade. Ao frugal, às "coisas simples da vida". Passamos dois terços da vida a construir-nos, a ganhar recursos para vencer. É uma mais valia, mas é também um afastamento. Derivamos sem noção disso em direcção a algo que pode até ser o sucesso, mas que é definitivamente para longe de nós próprios e de quem nos admirava como nós éramos. Quem pode negar que depois de um dia de trabalho no nosso bem-sucedido emprego, dentro das nossas bem sucedidas roupas, voltamos muitas vezes para a nossa perdida companhia? Regressamos para a nossa própria bem-sucedida solidão, que não se resolve necessariamente por estarmos acompanhados. Sentimos falta de nós próprios e de quem connosco gostava de estar apenas por que sim e não porque aquele era o lugar que lhe estava destinado socialmente, ou por poder ter algo a ganhar dali. Faz-me falta o café, à portuguesa, de horas e horas de bica e copo de água, do tomar café em geral, mesmo que se beba apenas uma água das Pedras. A conversa a que nada obriga, do tudo e do nada do desporto e dos outros, do jornal que alguém trouxe e faz rodar, da partilha do cinzeiro, da gargalhada que sobe por cima do resto do burburinho alto do café. Da despedida à porta já na rua, da separação e do último amigo que, por viver na mesma direcção que nós, nos acompanha por mais uns quarteirões de comentário ao falado um pouco antes. O falar bem. O falar mal. O concordar com o que foi dito antes ou o acrescentar de algo mais, que intimamente pode ser partilhado com este amigo específico... Dando-nos extra cumplicidade para o café de amanhã. Sem tempo contado. Sem desistências e abstinências porque: "já lá fui ontem" Deixem-me ressuscitar o café. Não sou pior por tê-lo. Mas sou menos na sua falta.

Monday, October 8, 2007

Rol de Ideias para um Optimismo Avassalador (R.I.O.A.)

Infelizmente, neste país, já não se corre tanto por gosto, mas por mau sabor na boca.

Tuesday, March 13, 2007

A "sossega"

Fazer ganzas era uma arte. Hoje em dia, como tudo o resto, é uma ciência. Explica-se tudo, há técnicas para tudo, estudadas, com aperfeiçoamentos. Dantes, era mais um virtuosismo. Quem as sabia fazer fumava quando queria, quem não as sabia fazer (satisfatoriamente, de acordo com o critério dos outros fumantes) encostava à box e aguardava pelos 3 bafos da ordem (antes de a passar ao próximo), quando a ganza fosse acesa. Sim, porque o virtuoso do grupo, admirado pelas meninas, secretamente invejado pelos amigos, o que "sabe enrolar bem", é que decide se se faz outra ou não e quando é que ela é feita. Mesmo que a ganza seja da comunidade. E, já se sabe, frase mítica, "quem faz, rebenta". E há até os grupos (totalitaristas, nunca concordei com tal abuso) em que o enrolador de serviço quando a acende, pode decidir dar um 4º ou até (pasme-se!!) um 5º bafo antes de a rodar a 1ª vez, quando entra em vigor oficialmente a regra dos 3 bafos. Ora o maior jagunço, só porque tem mais destreza motora, apanha o maior estalo enquanto os outros têm cócegas na cabeça e vão a tempo de irem estudar para casa (private joke... sim! num blog, e depois?!). As vinganças eram, como em tudo um prato que se serve quente... e, por vezes, tarde.
O enrolador-mor tem mazelas, no entanto. Tal como o guerreiro veterano, possui marcas e sequelas da actividade em que é mestre. A marca de queimadora na "almofadinha" do dedo do polegar direito (ou esquerdo, se for um ganzófilo canhoto). Há quem diga que nunca desaparecem... hehe... (private joke take 2. É o meu blog, eu faço o que me dá na telha!)
Todos do grupo são, no entanto, senhores e donos da sua última da noite. Volta o guerreiro para o seu quartel às tantas da manhã e vai produzir, ele próprio, a sua última da noite, a da "sossega" antes de ir comer deslavadamente yogurte com cereais e bolachas-maria esmigalhadas enquanto alucina com as televendas... Nesta ganza ele é o boss, mal ou bem enrolada ele é que sabe, enquanto a faz, desvirtuosamente, sentado no seu trono da casa de banho e a fuma, à sua maneira, dá moca à mesma... e é verdade. Cartolina, realmente é vitamina. Ou então, a pele dos dedos também batem. Além disso esta é a ganza-treino. O anónimo vai fazendo, fazendo, fazendo... quem sabe se um dia não se transforma, qual crisálida, numa virtuosa borboleta a enrolar charros (borboleta sem qualquer conotação sexual) e passa ele a ser o enrolador-mor?Pois é... começa-se com senhas do vídeo-clube às tantas da manhã e acaba-se com kingsizes (private joke take 3... esta é tão private, tão private que só mesmo eu a vou perceber quando ler). De "gafanhoto" a Kane. É lindo...

Monday, February 26, 2007

Ensaio sobre a caganeira

Há opções e opções. E cagar de cócoras não é uma delas. Para já, há uma probabilidade imensa de se falhar na higiéne mais básica dos próprios tornozelos. Em seguida porque, convenhamos, há maneiras bem melhores de se terminar o complexo e já de si nhanhoso processo a que diplomaticamente chamamos digestão. Pôr o ovo implica mais do que um simples arrear das calças. É todo um ritual que começa logo desde a despedida (anormalmente) rápida dos amigos no café, a corrida até casa, o quase perder o controlo da situação no elevador, até ao largar incoerente das chaves de casa e do casaco no meio do hall de entrada.
Quando se castiga cerâmica com tempo, temos outro tipo de rituais adjacentes como o da consulta de literatura ligeira nas prateleiras especiais (que um homem previdente colocará entre o pó de talco e as toalhinhas húmidas, na prateleira por cima do fluxômetro), ou ainda o da procura calma e concertada do papel higiénico, sem ter de se recorrer de urgência ao áspero papel de cozinha ou, em casos extremos, às tolhas do bidé.
Tudo se torna mais complicado quando a chegada ao poço é urgente, mas o fenómeno em si é demorado (por exemplo, numa cólica intestinal). Eu explico: A urgência inicial impede-nos de procurar factores distractivos para a total duração da função, mas essa duração neste caso é estendida ao ponto de os requerermos. E que hipóteses se nos apresentam?
1) Logo após o largar o lastro principal, encetar, agora com tempo, à busca da actividade distractora para o restante tempo de defecação. É desaconsselhável se se quiser manter a salutar limpeza do percurso a percorrer na casa, bem como das próprias calças, cuecas, sapatos e pernas. As gotas não perdoam (não esquecer de que falamos de caca rala).
2) Fazer toda uma limpeza preliminar, envolvendo papel higiénico, toalhitas húmidas e até mesmo bidé action. Esta alternativa é estranha no entanto. Estamos a ter uma trabalheira a limpar o rabo, apenas pra ir procurar um livro e voltar a cagar à pistola (volto a lembrar de que se trata de caca rala). Toda esta hipótese tem um piquinho a azedo. Tempos brutalmente boiolas se avizinham, sendo estes os unicos cuidados especiais que uma pessoa assim irá dar ao seu rabo. De resto irá tratá-lo com muito pouca deferência e, diria mesmo, algum desdém.
3) Toda uma parafrenália de acções se podem desenrolar. Tudo depende das inclinações e até da imaginação do obreiro. Desde o espremer daquela borbulha na coxa que temos vindo a descurar há semanas, até à apreciação do estado de deterioração das boxers ou mesmo do elástico bambo das meias. Talvez atar um sapato. Aproveitar, nos casos de tragédia grega, para tirar toda a roupa respeitante ao trem inferior do corpo (da cintura pra baixo, para os menos esclarecidos) e pô-la de molho no bidé ou, em caso de perda total, na banheira (relembro de novo que estamos a falar de caca rala, mesmo mole, mijo do cú).
4) Para os menos preocupados, ainda temos a hipótese de converter o relaxe zen do alívio fecal, na mais pura lascívia e proceder à limpeza dos outros canos também. Já que ali estamos, de calças em baixo e tudo e com o papel na mão... Só temos de lhe dar menos uma dobra antes de usar. E aconselha-se atenção ao denunciador tilintar ritmado da fivela do cinto no chão da casa de banho...

Tuesday, February 20, 2007

Quem és tu, Zé Cão?

Estatísticas. Valem o que valem, é certo. Mas que realmente podemos tirar ilações muito interessantes delas, podemos. E, se virmos bem caramba, têm lógica como à (palavrão).
Por exemplo: Que a água do banho de 8 em 10 octogenários, tem o valor nutricional equivalente a uma sopa de alho-francês;
Que há uma percentagem em franca ascensão de explicações inúteis ou que apenas nos deixam na mesma como: "Himenótomo: instrumento para praticar a himenotomia" (Dicionário Universal da Língua Portuguesa, pág. 823);
Que um carro com o espelho retrovisor lateral direito (que circula perigosamente perto dos peões e carros estacionados) riscado, arrancado, estalado, torto, amolgado ou simplesmente (palavrão) e com o espelho retrovisor lateral esquerdo (imprescindível para ultrapassagens e para um bom estacionamento) impecável, limpo, ainda com o código de barras e virado para dentro denunciando a falta de uso, tem à volta de 100% de probabilidades de pertencer a uma mulher;
Que a carne do mamilo da octogenária referida no exemplo nº 1 tem uma constituição em tudo semelhante, quase em 100%, com a carne do cotovelo de qualquer um de nós.
Que uma percentagem de maioria parlamentar segundo Hondt (50%+1) pensariam 2 vezes quando fossem comer pizzas ou pastas a um restaurante italiano, se soubessem que na língua daqueles gentis senhores "morbido" quer dizer suave. Posso prová-lo com uma embalagem de shampô vinda de lá... "morbida delicatezza";
Que uma percentagem razoavelmente acima da média, eu diria na ordem dos 60 ou 70%, dos visitantes deste blog sentem aquela rara e curiosa sensação de leveza e suavidade da cultura, misturada com a ideia de não terem aqui aprendido rigorosamente nada de jeito, ao abandonarem o mesmo.

um estranho de longa data

Como diria um estranho de longa data meu, eu não vou deixar que este blog resvale para aquilo que realmente interessa. Excepto, quando é um assunto que, de tão óbvio, merece um tratamento e uma explanação promenorizados.
Chegou à minha atenção, há cerca de 32 anos atrás, que este mundo existe e que mudá-lo é um bocado remar contra a (palavrão) da maré. O que de mais fácil e directo poderia haver, viver, é complicadíssimo ao ponto de alguns desistirem. Não são cobardes, ao contrário do que muitos possam dizer. São corajosos. Mas são detentores de um tipo de coragem que não interessa, porque é uma saída. Fácil ou difícil, não está em discussão, é uma saída. Mas é uma saída extremamente estúpida, daquelas que dá vontade de bater, se isso fosse possível. A vida é feita de entradas, de passagens, de trocas, de surpresas. Nada disto se apresenta na solução estúpida que é a desistência.
Chegou à minha atenção igualmente, o facto de o óbvio ser bem aceite neste mundo, mesmo que seja errado, de o popular ser apoiado até ao fanatismo, mesmo sendo impreciso e que o inteligente, o correcto, é vaiado e ridicularizado em conjunto com os cruzados (sem qualquer conotação religiosa) desgraçados que o defendem. Pensar está, neste mundo, altamente sub-valorizado. Vamos bater, destruir, matar, comer, trincar, (palavrão), trocidar, esventrar, insultar, ofender (não é a mesma coisa), trair, argumentar ao lado, errar propositadamente, ignorar a ignorância, achincalhar quem realmente sabe, pois conhecer e defender o aparentemente indefensável é para o outro.
Falar mal, mas empregando bem os termos é, ou deveria ser, digno de grau académico. Por exemplo, entre o Bacharelato (pré-Bolonha) e a Licenciatura: Grau de dizer asneiras, mas bem empregues numa estrutura frásica.

Saturday, February 17, 2007

Cuecas tanga com maçãs reineta. São boas. Então assadas

Chove. É manhã. A noite caiu calma, sem magoar ninguém. Lembro-me de ter pensado:
É verdade! Por falar nisso, quem perdeu umas cuecas? Pensei que fossem minhas, mas não uso renda assim tão justa, fico todo assado e depois é o cabo dos trabalhos. Minhas também não podiam ser, no estado em que estavam. Eu lá deixo marcas de derrapagem daquelas? Eu ando sempre em ponto morto e travagens é com muito cuidado para não queimar borracha, que o detergente já não é o que era e eu não gosto de esfregar. Estraga as unhas. As minhas (cuecas, não as unhas por razões que já a seguir vos serão óbvias) geralmente têm flores grandes e maçãs reinetas assim já pró arroxeado (liberdades artísticas da costureira... não vos disse que as razões eram óbvias? Onde já se viram unhas com maçãs reinetas. Só numas cuecas. Toda a gente sabe. E eu não disse que as razões óbvias eram perfeitamente esclarecidas em breve? Eu nunca minto. Bom... Ás vezes... Mas só quando digo que engomo a roupa e apenas a ponho no microondas para desamarrotar. Mas olha que fica uma maravilha! As meias até ficam contentes e quentinhas antes de calçar, na Primavera, com o frio é um espectáculo...), até dão vontade de comer, eu não as como porque me fazem azia, a gastrite não perdoa. Mas assadas até marcham (aposto que já não se lembram por causa do parentesis anterior, mas estamos a falar de maçãs reinetas!). Mas nas cuecas ficam tão bem, a matar. Eu por acaso gosto mais com partes largas, mas o fio dental também é bom, dizem que mata as cáries. Não é rigorosamente verdade, mas ajuda. O que de facto mata as cáries, é o Colgate. Ou o emplastro Leão, mas esse sabe mal, dizem que também faz bem às costas, mas eu não experimentei, não alinho em esquisitices. Cáries, cáries, quem tem é o Sr. do bolo. Esse sim, tem cáries a montes. Não pensou, não foi previdente... e, candeeiros bem bonitos modernos e originais é na rua da Prata, não se preocupe mais. Para não falar no Polilon. Polilon, aquele que a minha mamã usa... a minha mamã e as outras senhoras.

Saturday, February 10, 2007

Achei as cuecas, Vasco.
Tão um nojo.
Hoje curti bué na festa!! Fui, dancei dancei dancei até que me saltaram os chinelos... descalcita continuei a dançar sem parar até que me saltou o vestido. Saltei ainda mais até que me caíram as cuecas. Felizmente que aquele rapaz la estava. Apanhou tudo tudo e voltou a vestir me, o lindo... nunca pensei que fosse assim... uma festa. A minha mãe tinha-me avisado: CUIDADO COM AS FESTAS, ELES LÁ DESPEM-TE! afinal não, tadito... vestiu-me e eu para lhe agradecer, despi-me outra vez!! Weeeeee!!! Amanhã há mais mas agora tenho de me levantar daqui e ir para casa... é só encontrar as ceroulas e vou! Beijinhoooos

Mãe, parecia um bitoque... Era quente e frio ao mesmo tempo...

Mãe, estava no duche hoje e... desceu por mim abaixo... quente... e frio ao mesmo tempo. Pensei, é hoje. Tornei-me uma mulher... Ó mae, leva-me contigo, leva-me a comprar o primeiro soutien, o primeiro OB, o primeiro par de cuequitas impermeáveis... Não posso falar com o pai, que ele nao sabe. Cortar-se no dedo nas aulas de oficina nao chega para entender a profundidade da coisa. A mãe é quem sabe, a mãe é quem deve ir comigo agora neste momento em que a menina se torna mulher, em que o bigode se torna barba. Em que o ciclo se faz secundário. Ó mãe, porque foste embora... Porque foste para essa fábrica fria na Austrália quando eu aqui preciso de ti muito, não sei o que fazer. Como vou prá escola amanhã e encaro o Vasco... Como lhe digo amanhã "puto, nao vai dar"... Como, mãe...volta...
Vim ao mundo no dia em que a nha mae me teve. ela gustou logo, me pai nem tantu, ele gusta mais das ovelhitas dele mas tambem eu entendu elas sao mais quentinhas. Kero mutos amiges ke gustem de mim coma nha mae e eu gustamos. ela e boa mae. cuzinha tudo suzinha. nao ker ajuda nem nada, e eu vou e como. o me pai gusta mais das ovelhas. do pelo e do kejo. a nha mae shega a ter enveja. a tonta.
gustava de cunhecer gaijas e gaijos. e dos outros tambem. pessoas coma a nha mae e comu u me pai mas melhores. nao tenho manos mas gustava. ja pedi a nha mae ela diz ke na da sem o me pai. ele nao diz nada purke na ta em casa. kero jente ke goste de musica, arveres e de celeiros. gosto tambem de vacas, com e cem shifres. visto-me mutas vexes de vaca nu carnival. mas nao cei dancar comu as vacas entao vou logo pra casa cumer bulashas . musica gosto dus pssarinhus ke kantam de manha cuando vou a latrina. ler nao sei mas gustava de saber escrevere o me nome. ?im. gosto de tratores dakeles ke andam e dos outros tambem prke sao bons pra jugar as iscondidas. e vou a currer e deto-me la dentro e ninguem me incontra. as vexes axo ke ningem prokura. depois e de noite e vou pra kasa jantar mas ja o me pai kumeu tudo e eu fiko com us pratus pra lavar a nha mae dexa me ajudar a seghir ao jantar pra fazir a dejestao

um nascimento é sempre bonito...

Ele não voa... paira... ele não bate... moi o juízo. Ele não tem visão raio x... tem hipermetropia. Ele não tem graça. Ele não tem estilo... Ele não tem sentido de justiça... Ele é... MASCARILHA PÚRPURA...
Calma, cidade de Lisboa (menos Telheiras e bairro da Encarnação), existe um novo super-herói capaz das maiores parvoeiras para tornar o seu dia mais difícil. O comum cidadão de Lisboa (menos das áreas não abrangidas) pode dormir a noite descansado, porque o seu dia está assegurado e protegido pelo novo defensor da cidade (apenas nas áreas disponíveis no momento). Com as suas vibro-luvas feitas do mais puro poliester (90% pol. Lavável a 30º, não usar lexívia e não centrifugar), os seus botins biónicos (eram do pai de um amigo que ainda hoje não sabe das botas "eram do meu casamento, ainda agora estavam aqui, porra!"), a sua capa esvoaçante (prende-se com um colchete, daqueles dos soutiens, tramados de abrir com uma mão só, é preciso pedir desculpa e virar a gaja para o abrir), os calções de lycra da mãe e os collants negros do pai (é mesmo assim, não está trocado) e ainda a sweat-shirt do pai (já desbotada, era dos treinos, cheira que é um pavor)... e ainda... uma máscara púrpura para encobrir a identidade (e para o tirar de vez do armário) e uma faixa da mesma cor à cintura (sobrou tecido da máscara)... Mascarilha Púrpura chegou. Mais brevemente...[ler muito rápido] (no caso de persistência dos sintomas consulte o seu médico ou farmacêutico, o rato roeu a rolha da garrafa do rei da Rússia, mais belas que as belas de belas, são só as belas mães das suas filhas belas de belas, da minha varanda à tua vai uma curta distância, tem cuidado não escorregues na casca da melância).