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Friday, May 2, 2008

Transcendência na rua do Poço

Haverá vida depois do Bairro Alto? A minha lógica afinadamente científica diz-me que não. Quem sabe, esboça agora um sorriso e diz para si: "Mascarilha, tu tás lá. Do alto do teu porte altivo e de silhueta fenomenalmente atraente, tens total e inequivoca razão." Mas esta modéstia nada nos adianta até lá estarmos fisicamente, decobrindo por nós próprios. Quando se atravessa o Largo de Camões, local preferido para pontos de encontro, amigos, namoros (de todas as preferências), amores secretos e outros, bem como alguma ciganice de litrosas em sacos de plástico, não podemos deixar de achar irracional o elevador do parque, que sai falicamente no meio da calçada portuguesa. De seguida ao atravessar, supondo que não sofremos um atropelamento com violência e premeditação, aconselhamos o turista a fechar a carteira e abrir as narinas, já que é aí que o ácido úrico reage com o oxigénio rarefeito (devido à altitude) do ar, formando um composto ainda hoje desconhecido que tem sido um puzzle químico tremendo para as várias equipas CSI que lá se deslocaram, saindo de lá desmotivados e cabisbaixos. Porque leia-se: o bairro apenas pode ser sentido e poucas vezes compreendido. Temos que deixar reagir os aromas com a bebida sem pensar muito, sem extrapolarmos teoremas explicativos da sua essência. É um treino de sentidos: Respirar tudo, deixar reagir com os sabores, o tacto que se acotovela por um lugar à porta, e a conversa que não tem igual em ponto algum do globo (no mínimo!!) é uma generalidade que se manifesta nos micro-climas de diferenças consoante o local específico em que se encontram... há o bairro do Apolo, o do Maria Caxuxa, o do Suave ou até o do Arroz Doce. Mas em todos, todos vivemos o toque suave da noite, a sugestão do social, a ideia da convivência. E, se altas filosofias são extraídas de uma conversa à 1h00, às 5h00 recebemos um não menos precioso e francamente genuíno (leia-se ébrio) "BEENNFICAAAAA"

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