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Wednesday, May 7, 2008

Acordo ortográ...ná, espera: Acordo Pornográfico!!

Esperemos, como é a opinião da maioria das pessoas, que a chinesada do acordo ortográfico que se arrasta desde o principio do século, tendo a sua última fase vindo a pairar tipo assombração desde os primeiros anos da década de 90, morra de uma vez por todas na secretaria porque já não se pode sequer ouvir falar do disparate. Devemos ser os únicos azelhas que concordam em aproximar as diferentes variantes de uma língua que se fala em todos os continentes. Alguma vez ousaríamos sonhar que ingleses (olha quem, raça de convencidos) entrariam em compromisso com americanos e australianos para mudar a escrita de certas palavras em comum?! Seria um tremendo disparate. Então porquê aceitarmos nós empobrecer a nossa língua, estripar a literatura, roubar opções à poesia, à musicalidade da língua portuguesa? Para não falar que nem sequer vai "aproximar" ninguém. As palavras que pronunciamos de maneira diferente em português de Portugal ou do Brasil não são as mesmas, portanto ao mudarmos a sua escrita vão continuar a ser duas escritas diferentes e aí é que está a riqueza de ambas as literaturas. Não posso pensar em Jorge Amado escrito em português de Portugal, é impossível. Tal como não posso aceitar ler Eça escrito por outro português que não o queirosiano. E que vai acontecer com as palavras de raíz comum, mas que por azar uma é passível de alteração e outra não? "Acção" passa a ser "Ação"; "Actor" passa a ser "Ator". Então e a palavra "Actante"? Deixa de ser da mesma família? É ridículo. E já parámos para pensar no propósito desta chouriçada? Pois é... não é para aproximar ninguém, não é para "aproximar culturas irmãs". Pensem na pipa de massa que as editoras luso-brasileiras vão poupar em fazer, para todas as publicações, apenas uma edição... no "novo" português comum... Se fossemos minimamente orgulhosos, agora só para chatear, corrigíamos ainda com mais vontade os erros ortográficos na escola... começando por alguns que possam aparecer no próprio texto deste vosso super-herói. Borrifem-se no acordo ortográfico, trabalhemos antes para o acordo pornográfico. É uma coisa de que toda a gente gosta e que se faz exactamente da mesma maneira no mundo inteiro...

Friday, May 2, 2008

Transcendência na rua do Poço

Haverá vida depois do Bairro Alto? A minha lógica afinadamente científica diz-me que não. Quem sabe, esboça agora um sorriso e diz para si: "Mascarilha, tu tás lá. Do alto do teu porte altivo e de silhueta fenomenalmente atraente, tens total e inequivoca razão." Mas esta modéstia nada nos adianta até lá estarmos fisicamente, decobrindo por nós próprios. Quando se atravessa o Largo de Camões, local preferido para pontos de encontro, amigos, namoros (de todas as preferências), amores secretos e outros, bem como alguma ciganice de litrosas em sacos de plástico, não podemos deixar de achar irracional o elevador do parque, que sai falicamente no meio da calçada portuguesa. De seguida ao atravessar, supondo que não sofremos um atropelamento com violência e premeditação, aconselhamos o turista a fechar a carteira e abrir as narinas, já que é aí que o ácido úrico reage com o oxigénio rarefeito (devido à altitude) do ar, formando um composto ainda hoje desconhecido que tem sido um puzzle químico tremendo para as várias equipas CSI que lá se deslocaram, saindo de lá desmotivados e cabisbaixos. Porque leia-se: o bairro apenas pode ser sentido e poucas vezes compreendido. Temos que deixar reagir os aromas com a bebida sem pensar muito, sem extrapolarmos teoremas explicativos da sua essência. É um treino de sentidos: Respirar tudo, deixar reagir com os sabores, o tacto que se acotovela por um lugar à porta, e a conversa que não tem igual em ponto algum do globo (no mínimo!!) é uma generalidade que se manifesta nos micro-climas de diferenças consoante o local específico em que se encontram... há o bairro do Apolo, o do Maria Caxuxa, o do Suave ou até o do Arroz Doce. Mas em todos, todos vivemos o toque suave da noite, a sugestão do social, a ideia da convivência. E, se altas filosofias são extraídas de uma conversa à 1h00, às 5h00 recebemos um não menos precioso e francamente genuíno (leia-se ébrio) "BEENNFICAAAAA"