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Wednesday, November 7, 2007

O que pode ser uma "boa peça"?

Um texto de teatro ou mesmo literário, tem de ser simples ao mesmo tempo que é inteligente. Em teatro, a simplicidade é sinónima de contenção e não só dos actores. Na contenção narrativa está todo o potencial da explicação de conceitos complexos, deixada no ar em termos objectivos e simples. A forma genuína com que se podem interpretar os signos e sinais dos tempos e os transpor para uma forma concisa e concreta de linguagem dramática tem de ser dotada de simplicidade e frontalidade de objectivos de narrativa, de forma a ser assimilável, convidando-nos enquanto público a sermos permeáveis ao que nos é contado. A simplicidade leva-nos obviamente a uma livre associação ao objectivo da história, com possível identificação dependendo do grau de verosimilhança, bem como a uma forma de explicação de conceitos abstractos e profundos de forma mundana.
Boa peças em potencial entendo haver bastantes ou, devo dizer, bons textos em potencial. Muitas vezes me deparo com problemas de textos francamente inteligentes e originais, mas altamente pretensiosos quer na forma quer no conteúdo. Quando é conteúdo, pouco ou nada me parece haver a fazer, já que toda a sua significância se encontra comprometida. Na forma, a linguagem de abordagem de uma coisa que poderia ser tremendamente simples, ou até um conceito subjectivo e complexo que poderia ser, na narrativa, maravilhosamente condensado até à sua forma elementar mantendo todo o seu sumo em sub-texto se encontra, numa procura imensa de se ser claro e totalmente explícito, vazio de significado, exposto, despojado do que é verdadeiramente teatro, o seu potencial dramático. Uma boa peça, poderá começar por ser literatura, mas nunca acabar como tal. Tem de haver espaço a interpretação dramatúrgica, a uma linguagem objectiva para entendimento, mas vaga o suficiente para oferecer mais perguntas do que apenas uma imutável e absoluta resposta.

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